Alerta sanitário do Reino Unido sobre viagens a Cabo Verde após casos de infeções gastrointestinais

Autoridades sanitárias britânicas alertam turistas para riscos de infeções gastrointestinais em viagens a Cabo Verde após dezenas de casos e quatro mortes. Governo cabo-verdiano nega surto no país e afirma manter vigilância sanitária ativa.

Feb 12, 2026 - 21:04
Alerta sanitário do Reino Unido sobre viagens a Cabo Verde após casos de infeções gastrointestinais

A UK Health Security Agency emitiu um alerta para cidadãos britânicos que pretendem viajar para Cabo Verde, após dezenas de turistas adoecerem com infeções gastrointestinais durante estadias no arquipélago.

Desde 1 de outubro, a agência identificou 118 casos de shigella e 43 de salmonella associados a viagens ao país africano. Embora a maioria dos infetados recupere em cerca de uma semana, quatro cidadãos britânicos morreram meses depois de contraírem infeções estomacais durante férias no destino.

O alerta surge antes do período de férias escolares de fevereiro no Reino Unido, quando se espera um aumento no número de turistas britânicos que viajam para o arquipélago, conhecido pelas temperaturas médias de cerca de 25 °C nesta época do ano.

Shigella e salmonella são infeções bacterianas que afetam o sistema digestivo e podem causar diarreia, febre e cólicas abdominais. Crianças pequenas, idosos, grávidas e pessoas com sistemas imunitários enfraquecidos correm maior risco de complicações graves.

As bactérias propagam-se através do contacto com fezes contaminadas, seja por transmissão direta entre pessoas ou por alimentos, água e superfícies contaminadas. As autoridades britânicas recomendam que viajantes consumam apenas alimentos bem cozinhados e servidos quentes, bebam água engarrafada ou fervida, evitem gelo nas bebidas, utilizem água segura ao escovar os dentes e descasquem as próprias frutas.

A maioria dos casos foi registada entre visitantes das zonas de Santa Maria, na ilha do Sal, e da ilha de Boa Vista. Segundo especialistas, surtos de shigella não são incomuns em destinos turísticos movimentados, especialmente em hotéis com serviço buffet e áreas partilhadas. O professor Damien Tully, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, destacou que ambientes com grande circulação de pessoas podem favorecer a propagação de bactérias.

Entre as vítimas britânicas estão Mark Ashley, Elena Walsh e Karen Pooley, além de um homem de 56 anos de Watford. As famílias das vítimas abriram processos contra a operadora turística Tui, alegando preocupações com os padrões de higiene nos hotéis.

Em resposta ao alerta, o governo cabo-verdiano afirmou não existir qualquer surto declarado de shigella no território e que o país mantém sistemas ativos de vigilância sanitária. As autoridades locais também indicaram que não receberam notificação formal do Reino Unido atribuindo a origem de um surto epidemiológico ao arquipélago.

Especialistas recordam que, após a passagem do Furacão Erin em agosto passado, que danificou infraestruturas de água e saneamento, a Organização Mundial da Saúde alertou para maior risco de doenças associadas à água contaminada e a insetos vetores.

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